Há um propenso freio aos avanços da tecnologia e da globalização, configurando uma tendência contrária ao desenvolvimento escalonado e exponencial do avanço cibernético observado nos últimos 25 anos.
Desde os anos 2000, atravessamos o início da chamada 4ª Revolução Industrial e, paradoxalmente, já presenciamos sinais de seu esgotamento. Isso ocorre em razão das crescentes preocupações dos governos com o controle dessas tecnologias, antes que elas se tornem impossíveis de conter.
Haverá, sem dúvida, avanços tecnológicos, porém não de forma exponencial como vimos nas últimas décadas. E por quê? Pelo fim da globalização.
A prevalência dos Estados Unidos como potência hegemônica desestabilizou o equilíbrio metafísico da Terra. O atordoamento do Behemoth por quase cinquenta anos — desde o início da decadência soviética — é um fator central desse processo. A União Soviética representava uma nação essencialmente terrestre, materialista e pouco internacionalista, sobretudo quando analisada à luz do marxismo stalinista, e não do trotskista.
O conceito de Behemoth e Leviatã não deve ser compreendido apenas como uma dicotomia entre esquerda e direita. Ele pode ser interpretado, de forma mais precisa, como a oposição entre um “rígido conservadorismo” e “tendências liberais e revolucionárias”, ambos passíveis de manifestação tanto à esquerda quanto à direita do espectro político.
Esse conceito será aprofundado em outro artigo, no qual abordarei as perspectivas do fim da globalização a partir do pensamento de diversos filósofos e teóricos, como Rodrigo Ferrari, William Blake, Alexander Dugin, Olavo de Carvalho e Carl Schmitt. Esses autores se debruçam sobre a teoria de que as bestas bíblicas — Behemoth e Leviatã — teriam orientado os grandes conflitos históricos, desde Atenas contra Esparta até Cartago contra Roma.
Enquanto o Leviatã, por meio de formas indiretas de influência global e de guerra cultural, prevalece sobre a Terra, as nações por ele regidas — como os Estados Unidos e a Inglaterra — impulsionam a globalização e a internacionalização da cultura. Expressões contemporâneas desse fenômeno são as chamadas Revoluções Coloridas no Oriente Médio e, posteriormente, o Euromaidan, na Ucrânia, em 2014, evento que marca tanto o esgotamento dessas revoluções quanto o despertar do Behemoth, o Velho Urso Branco.
Para conhecer o rugido do Behemoth Invernal, acompanhe a Parte 02 na próxima publicação.






















